Esse post se configurou uma continuação da "A Era da Apatia", mas não posso evitar o assunto diante de uma situação que me provocou reflexão nessa tarde.
Há tempos que o Twitter é o termômetro dos assuntos do dia, e foi nele que o caso em questão me pôs a pensar. Deparei-me lá com uma “campanha” de nome “Cala a boca, Lobão”, – ou “calabocalobao”, no twittês – criada e divulgada em ampla escala e com muito fervor pelos fãs da banda Restart, de Luan Santana e afins – “afins” mesmo, porque são todos da mesma laia. Lobão, em um programa de rádio, criticou violentamente os “músicos” citados e também os fãs desses “artistas”. Logo depois, criou-se esse movimento contra Lobão no Twitter, com adeptos munidos de críticas a sua história e a suas ácidas opiniões.
Incentivados por essa agitação, os defensores de Lobão, da liberdade de expressão e da sensatez – incluo-me apenas nas duas últimas – criaram um contraponto denominado “Fala, Lobão”. Até aí tudo bem, os dois lados têm direito a pontos de vista, embora um se sustente e o outro não.
Mas para a minha surpresa, formou-se um terceiro bloco, um grupo a favor de criticar os dois lados. As observações desses indivíduos são as seguintes: é muito fácil criticar os “artistas” que Lobão criticou, pois todo mundo sabe que eles são ruins mesmo; não devemos exaltar o óbvio exatamente por ser óbvio; falar o que Lobão falou em uma emissora de rádio é “querer aparecer”.
Me parece que não podemos mais nos incomodar com assuntos recorrentes. Deve ser por isso que o Mensalão – lembra? – até hoje não teve desfecho. Passou da época?
Não temo falar muitas vezes a mesma coisa aqui nesse blog. Isso, como o que Lobão falou, é exaltar o óbvio? Então o óbvio foi exaltado por mim em inúmeras ocasiões, como certo dia que publiquei um link no Facebook sobre as velhas relações feudais nas áreas rurais no Brasil, principalmente na Amazônia e nas áreas de conflitos entre indígenas e coronéis – não há melhor palavra para defini-los. O artigo foi praticamente ignorado, talvez porque sejam óbvias as denúncias de tráfico de diamantes feito pela própria FUNAI. Ou talvez porque também seja óbvio o roubo das terras indígenas pelos senhores da casa grande.
Então é possível que a obviedade dos vídeos da jornalista Raquel Scherazade, onde ela critica veementemente e com toda razão o que se transformou o Carnaval e a quem ele interessa, torne a crítica obsoleta e sem sentido. Continuemos apáticos, então.
Em uma época em que a ignorância reside na cabeça das pessoas e o exército de cabras-cegas aumenta vertiginosamente, se faz necessário, mais do que nunca, dizer o óbvio. Criticar o que já foi tantas vezes criticado? Claro que sim. Ora, se o réu reincide no crime, por que a acusação deveria retirar sua queixa?
Se era necessário um exemplo claro da Era da Apatia, agora está registrado.
Completamente relevante este post. Os fãs dessas porcarias criticadas pelo lobão estão no seu direito de continuarem idiotas. Opção. Querer que todos ouçam música boa e ainda forçar a isso n faz sentido algum, infelizmente. Agora o óbvio é importante justamente por as vezes passar despercebido e/ou banalizado. Esse povinho que reclama de quem reclama me dá náuseas. São piores do que quem faz a opção pelo ruim e ainda bancam a escolha. Pq pelomenos há uma opinião ali, independente de ser infundada.
ResponderExcluirTalvez o que falte mesmo é a critica pelo óbvio. Independente de estar na mídia ou não.
Marcela Coelho
Seu amor
=*
Aprenda a compor música, rápido. K K K - provocação, li mas vou dormir, e mais tarde comento.
ResponderExcluirMarcela falou "Esse povinho que reclama de quem reclama me dá náuseas." - Não estaria ela também 'reclamando de quem reclama de quem reclama'? Hummmm... Captopril por favor!
Acho que imerso nessa Era da Apatia está um tipo de Conduta da Aceitação. Se é válida a afirmação "quem cala, consente", já passou da hora de revermos nossas concessões.
ResponderExcluirPS: Se Marcela reclama de "quem reclama de quem reclama", estaria ela formando um 4º grupo? Sociedade complexa.
A Era da Apatia nasce justamente dessa época em que há muito conhecimento, mas a ignorância se sobressai na cabeça das pessoa.
ResponderExcluirÉ impossível agradar a todo mundo, portanto as críticas. Volta e meia o que se chama de crítica construtiva se torna crítica destrutiva e o que era pra ser bom, resulta numa total falta de emoção e entusiasmo por parte das análises e do comportamento humano diante dos assuntos 'relevantes'.
Enfim. Ao passo que as pessoas descobrem o quão "poderosas" são as ferramentas midiáticas, mais o uso de tais ferramentas estão dispostas à ignorância
Fernando,
ResponderExcluirA questão é justamente a da apatia, da falta de interesse e da falta de criticidade. Não reclamar, ou ao menos não questionar o que está se passando é, no mínimo, uma atitude conformista. E isto me dá náuseas.
Marcela Coelho
É a interdependência complexa e assimétrica. Pensei que nunca usaria uma teoria de RI para dscutir um assunto fora do contexto acadêmico.
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