A realidade às vezes fala mais alto que a ficção e aquele sentimento que te faz costurar as palavras pra escrever literatura acaba bordando o verdadeiro e, nesse caso, o trágico. Não adianta resistir, a poesia não terá lugar entre os fonemas e o belo nunca será alcançado por mais manuseados que sejam os vocábulos.
Pra tentar vencer a morte, a gente escreve. Talvez esse seja o combustível de todo texto. Tudo que é escrito deveria ser assinado pelas musas, pelos vilões e todos os influxos que deram origem àquelas palavras; não só pelo autor, o organizador dos devaneios. Mas não é assim que é feito, e nem seria possível fazê-lo.
Não é mais preciso descrever o que as terríveis imagens já narraram. A catástrofe mostra sua face desde sexta-feira sem trégua; o repouso a parece incomodar. Mesmo se fossemos pintores celestiais nosso desenho de bonança seria sufocado pela fúria de um mar implacável. Ele levaria nossa pintura para junto das rosas inválidas de Vinícius, sem cor, sem perfume, agora no fundo do oceano ou debaixo da terra.
Mas ainda posso emprestar a assinatura, a voz a quem só foi permitido gritar no momento de nos deixar. É um sussurro meu, mas também deles, como também foram meus os seus gritos. Porque nenhum homem é uma ilha isolada, como John Donne ensinou. A morte de cada um nos diminui. Os sinos dobram por todos nós.
Leandro Reis e todas as rosas do Japão.

Na falta de um comentário melhor ou à altura da sua elegia, deixo uma rosa.
ResponderExcluirEstou, simplismente, sem palavras.
ResponderExcluirLindo como uma rosa (pra não sair do ritmo)
Ps: Fico muito feliz de ver vc escrevendo um texto assim, que foge aos outros. Vc tem o dom de me fazer sentir na pele o que vc escreve.
♥
Marcela Coelho