Sou muito suspeito pra falar, já que Nirvana, Led Zeppelin e Queens of the Stone Age são as bandas de rock'n'roll que mais contribuíram pra minha bagagem musical. Não é exagero. O primeiro álbum que me arrastou de verdade pro universo da música foi a coletânea de 2002 do Nirvana, aquele CD de capa toda preta, com alguns dos sucessos da curta carreira da banda de Cobain. Ouvir o Led foi o contato com a perfeição – quatro monstros da música – e com a variedade de ritmos em que o gênero se permite enquadrar, além de ter sido um dos poucos grupos que sobreviveram ao seu próprio fim. E sobre o Queens não é preciso dizer muito – visto que este blog é praticamente uma assessoria de imprensa dos californianos. Um rock de guitarras, fusão do som pesado do Sabbath e da psicodelia do rock setentista, com melodias densas e dançantes, que me levou a um leque enorme de referências.
Mas não é exatamente disso que se trata esse texto. Nessa segunda-feira, dediquei pouco mais de uma hora à audição do álbum homônimo do Them Crooked Vultures, já citado por aqui, formado por Josh Homme, Dave Grohl e John Paul Jones, integrantes das bandas que mencionei no início dessa postagem. O curioso é que só após dois anos do lançamento do álbum que parei pra contemplar a obra em sua totalidade. Até então, só havia escutado algumas músicas em sequência. A dose de espanto é grande, pois tenho o hábito, desde sempre, de escutar música como se assiste a um filme ou a uma peça - como um espetáculo, com todos os sentidos direcionados somente àquela obra. Falha reparável, felizmente.
Mas não é exatamente disso que se trata esse texto. Nessa segunda-feira, dediquei pouco mais de uma hora à audição do álbum homônimo do Them Crooked Vultures, já citado por aqui, formado por Josh Homme, Dave Grohl e John Paul Jones, integrantes das bandas que mencionei no início dessa postagem. O curioso é que só após dois anos do lançamento do álbum que parei pra contemplar a obra em sua totalidade. Até então, só havia escutado algumas músicas em sequência. A dose de espanto é grande, pois tenho o hábito, desde sempre, de escutar música como se assiste a um filme ou a uma peça - como um espetáculo, com todos os sentidos direcionados somente àquela obra. Falha reparável, felizmente.
São 66 minutos de puro deleite. A óbvia influência de Led Zeppelin – além do baixista original, os outros músicos são fãs declarados dos britânicos – conduz o som do TCV, que ainda mescla obscuridade e psicodelia. O disco tem a clássica pegada de rock’n’roll, agressiva e gostosa de ouvir, como em “New Fang” e “Mind Eraser (No Chaser)”. “Elephants”, “Scumbag Blues” e a impressionante “Warsaw of the First Breath You Take After You Give Up”, com oito minutes do blues característico do Zeppelin e a psicodelia do Queens, são outros destaques do álbum. Em “Reptiles”, o clima kafkaniano é latente, uma espécie de claustrofobia, um ambiente extremamente provocativo – veia sonora do Queens. Mas o melhor ainda ficou pro final: “Spinning in Daffodils” é a canção mais obscura, mais chapada e melhor trabalhada do álbum. Atenção para o piano de John Paul Jones no início da música e o sussuro da guitarra de Homme no fim. Them Crooked Vultures merece uma análise profunda – que não foi o objetivo desse texto. Talvez o álbum não agrade o grande público, mas agradará ao bom rockeiro, sem dúvida.
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