Conheci os Doors instigado pelo filme de Oliver Stone, "The Doors", lançado em 1991. Foi meu primeiro flerte com o blues e com o jazz, estilos tardiamente exercitados com Led Zeppelin, ZZ Top, Miles Davis, BB King e mais uma lista que não caberia em um só post. Falo disso porque hoje - ou ontem, se já estivermos na madrugada de segunda - é o aniversário de morte de 40 anos de Jim Morrison, o poeta-ébrio líder do The Doors, um dos poucos "letrados" do rock'n'roll.Antes de formar a banda, Morrison estudou teatro e cinema e tinha grande paixão pelos livros. Foi da literatura, mais precisamente da obra The Doors of Perception, de Aldous Huxley, que saiu o nome do grupo. Curiosamente - mas também obviamente - Huxley escreve, nesse livro, suas experiências com alucinógenos, uma quebra de paradigma que impulsionava muitas composições da contracultura norte-americana. Digo obviamente, pois o frontman também era um ativo consumidor de drogas, em especial dos ácidos, o modismo da época.
O sucesso dos Doors se deve muito a suas estranhezas. Uma peculiaridade, por exemplo, era a falta de um baixista, que deixava todo o trabalho de segurar a batida para o baterista John Densmore, original do jazz. Robby Krieger, por sua vez, na guitarra, tinha influências do flamenco e nunca usava palheta. Mas o som não teria uma base sólida se não fossem as mãos frenéticas de Ray Manzarek nos teclados: a esquerda na parte do baixo - ele utilizava um piano elétrico com o baixo - e a direita na batida do blues.
Se a composição dos Doors já não era comum, as performances delirantes de Morrison - às vezes catastróficas - acrescentavam mais camadas de mistério e perturbação. O poeta era um xamã que guiava a plateia numa espécie de hipnose durante os shows, ora inocente, ora profano. Sua insanidade nos espetáculos não era diferente de seu cotidiano, comportamento que levou a banda e a vida do cantor à decadência, as duas encerradas em 3 de julho de 1971.
No relatório oficial da morte consta que Morrison sofreu um ataque cardíaco, mas as suspeitas quanto à overdose não poderiam ser menores, dado o passado de excessos do artista. Há 40 anos Jim Morrison entrou para aquele grupo "seleto" de músicos mortos aos 27 e deixou nossa poesia sem um verso. A boa notícia é que o poeta-ébrio continuará sendo reverenciado, no mínimo, pelas próximas quatro décadas. Pelo menos por aqui, o rock'n'roll fica garantido.
Fala Lê, só esqueceu de citar a influência do seu TITIO RICARDO no texto, né?
ResponderExcluirÓtimo texto, bem resumido do que foi Jim, mas muito bom.
Continue escrevendo, acho que você tem futuro.
Beijo na bunda do:
TITIO RICARDO
HAHAHAHHAA
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