Com todo o frenesi provocado antes do lançamento, o último álbum do Foo Fighters, Wasting Light, não havia recebido minha devida atenção até poucos meses atrás. Atenção esta apenas justificada por ser um trabalho de Grohl e companhia, pois, apesar das inúmeras indicações aos prêmios musicais de 2011, o disco não cumpriu as previsões por aqui.
E talvez nem seja culpa da banda, do álbum, do produtor – deste não é mesmo, pois atende pelo nome de Butch Vig. O que acontece é que, para mim, o Foo Fighters passou.
Atraído pelos hits, como todo adolescente, mas, desde sempre, obsessivo pela seqüência cronológica dos trabalhos das bandas, fiquei órfão do Nirvana, do Soundgarden, do Alice in Chains – que só voltou há poucos anos e, diga-se de passagem, com um grande álbum – do Pearl Jam – que me desagradou a partir do terceiro disco – e do Screaming Trees.
Quando a fonte de guitarras nervosas do saudoso grunge, portanto, secou, o caminho natural foi escutar os frutos. Acompanhei, com gosto e afinco, a carreira da banda do ex-Nirvana Dave Grohl ouvindo os álbuns, lendo revistas e assistindo a shows e entrevistas. Foi a primeira trajetória que tive a oportunidade de seguir realmente, já que com meus 14 ou 15 anos o Foo Fighters ainda desfrutava de seu sucesso.
A partir daí, meu interesse por música, que se limitava às bandas dos anos 90 e algumas clássicas dos 70, levou-me a outros gêneros e níveis de aceitação. Ou, de uma maneira mais dura de dizer, o "radiofonismo" não me descia mais a garganta.
E aí a memória afetiva, traiçoeira, atacou. Como o quintal que você cresceu, que parecia grande e agora é só mais um pedaço de terra com muro em volta, como a pracinha que você brincou, que era o centro do universo, mas agora não passa de um lugar para se andar de vez em quando... se aplica o mesmo à música, às canções que foram trilha sonora da sua adolescência.
O Foo Fighters, depois do ótimo There Is Nothing Left To Lose, virou uma banda burocrática, que preza pelos hits radiofônicos. Um rock mais do mesmo. Bom, mas igual. E nostalgia não preenche álbum.
É claro que o Wasting Light não é ruim. O disco acerta na mosca com “Bridge Burning” na abertura, a mais poderosa desde o One By One. “White Limo”, “These Days” e “Miss The Misery” também são boas canções. E, para um álbum que tinha toda a pinta de ser pesado, a grande música, e talvez a mais brilhante composição de Grohl, é a balada “I Should Have Know”.
Além das citadas, nada de notável ficou para o resto, só o radiofonismo de “Rope” e o rock burocrático das outras canções.
Não há nada de errado em se ater ao que se tem certeza de que funciona, mas me agrada muito mais a inovação, mesmo com os tropeços inerentes à mudança.
Lá em 2004, a banda de Dave Grohl foi uma saída, uma maneira de estender aquele frenesi que a descoberta do rock tinha me provocado. Agarrei-me à raiz. Mas, agora, passou: aqui, nas minhas caixas de som, Foo Fighters e memória afetiva são bons. Desde que permaneçam na memória.

foda-se tudo que foo fighters fez. Não tem nada nem antes nem depois de Home.
ResponderExcluirqndo tinha 15 anos foo figthers era considerado meio modinha nos foruns do orkut q eu frequentava, assim como as outras bandas do fim dos anos 90. Isso me impediu de ouvir um disco inteiro ou tentar enxergar alguma coisa. Mas, superficialmente, nunca me chamou a atenção e sempre me pareceu, como vc msm diz, radiofonica...
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